A história de Rodrigo Lopes: do porão na Zona Leste à holding
Minha primeira empresa de verdade nasceu num porão. Sem estrutura, sem time, sem nada — eu atendia o telefone fingindo ser a "central de atendimento". O que eu tinha era R$ 5.000, um irmão como sócio e uma decisão: gastar uma parte boa daquele dinheiro num site caro, de alta percepção, pra parecer maior do que eu era.
Parece loucura colocar quase todo o capital numa fachada digital antes de vender um único brinquedo. Mas eu já tinha entendido uma coisa que mudaria a minha vida inteira: numa tela de computador, todo mundo tem o mesmo tamanho. O gigante do setor e o cara do porão apareciam do mesmo jeito pro cliente. Em três meses eu já faturava mais que o líder do mercado.
Antes do porão, teve o terno parcelado. E antes do terno, teve a caneta. Deixa eu contar como cheguei aqui — sem coach, sem fórmula mágica, só o que aconteceu de verdade.
Comecei vendendo na rua, e isso foi a melhor escola
Nasci em São Paulo, numa família simples de pequenos comerciantes. A gente era pobre de dinheiro, mas não de informação. Cresci dentro do comércio dos meus pais desde os seis anos, aprendendo a lidar com gente e a negociar antes mesmo de saber o que era um CNPJ.
Aos 18, minha mãe me empurrou pra algo "mais a minha cara". Distribuí currículo e entrei no Banco Itaú vendendo cartão de crédito na rua, na unha. Virei um dos primeiros do ranking nacional. Pouco depois, me candidatei a uma vaga pra dar aula de AutoCAD — que eu mal dominava. Pedi pra um amigo me indicar, fui contratado e aprendi de madrugada, estudando o que eu ia ensinar no dia seguinte.
Quando você se joga, você aprende. Tino para nada não existe — existe desenvolvimento, existe treinamento. Quem espera estar 100% pronto pra começar nunca começa.
A caneta de dinheiro falso e o terno da Zogbi
Meu primeiro "negócio" de verdade foi vender caneta detectora de dinheiro falso. Comprava por R$ 3, vendia por R$ 15. Largei o banco no primeiro sábado animadíssimo, achando que tinha descoberto a galinha dos ovos de ouro.
Pra vender no centro de São Paulo eu parcelei um terno na Zogbi que "dava dois de mim" — porque eu precisava representar. Já entendia que percepção vende. Mas aprendi outra lição na marra: sem disciplina, o melhor produto do mundo quebra. Quase fui à falência por falta de gestão, e tomei uma decisão que muita gente acha contraditória: voltei pra CLT.
CLT não é inimiga do empreendedor. Voltei pra aprender com o dinheiro dos outros, amadurecer, observar como uma operação roda de dentro. Quando saí de novo, saí mais inteiro.
As quedas — e foram grandes
Depois do porão veio uma sequência de negócios: marketing digital (cheguei a ter perto de 200 funcionários e modelo de franquia), construção civil, restaurante, indústria. E vieram as quedas. Quem nunca ouviu falar das minhas só conhece metade da história.
Em 2013 abri um restaurante sofisticado em São Paulo, melhor ponto da cidade, uns R$ 3 milhões investidos. Meu erro? Tratei como hobby, não como negócio. Só não quebrei porque tive a frieza de vender antes do buraco. Nunca comece um negócio como hobby. Comece pra ganhar dinheiro — paixão sem gestão é só uma forma cara de se machucar.
Depois veio a operação de parques em shoppings. Assinei 22 contratos quase do dia pra noite, unidades de R$ 3 a 4 milhões que não vingaram, e acordei devendo cerca de R$ 32 milhões. Não tem frase bonita que console isso. O que me tirou de lá foi auto-responsabilidade, diagnóstico frio e sentar pra negociar com cada credor.
E teve Miami. Em 2019 realizei o sonho de morar fora. Só que tentei tocar a empresa de marketing digital à distância com um modelo de franquia de 1% de royalties que simplesmente não fechava a conta. A empresa minguou de 200 pessoas pra 15. Voltei de classe econômica, com o orgulho menor e a lista de aprendizados maior.
Não coloca a culpa nos outros fatores. A culpa é só você. Foi a coisa mais dura e mais libertadora que eu aceitei. Porque se a culpa é minha, a solução também é.
A reconstrução: você nunca volta à estaca zero
Aqui está o que ninguém te conta: depois de cada queda, eu reconstruí. E reconstruí mais rápido a cada vez. Não porque tive sorte, mas porque eu sabia vender — e venda é a única habilidade que nenhum credor, nenhuma crise e nenhum sócio conseguem tirar de você.
Você nunca volta à estaca zero. O que sobra do fracasso é conhecimento, e o conhecimento te coloca na frente. Quem mais convive com o fracasso é justamente quem é mais bem-sucedido — porque está mais tempo em jogo.
Em 2020, na pandemia, minha esposa Luana montou a Agora Marcas dentro de casa. Eu a desafiei: "o que você está esperando?". Montamos a landing page numa noite e no dia seguinte já estávamos atendendo. Alugamos uma sala no cowork de um advogado, o Roger. Anos depois, comprei o cowork inteiro. Hoje todo aquele espaço é meu.
O feito é sempre melhor que o perfeito. Uma empresa que hoje gera milhares de leads por mês começou com uma página feita numa madrugada, não com seis meses de planejamento perfeito.
Hoje: da operação para a arquibancada
Hoje eu me posiciono como o que sempre fui na prática: empreendedor serial, construtor de empresas e investidor. Estou à frente de um grupo de empresas — com o Telmo Tonolli na presidência — somando mais de 200 colaboradores, além das consultorias e mentorias.
A virada de chave foi sair do dia a dia operacional. Hoje eu fico na arquibancada olhando os números. Priorizo tempo, família e qualidade de vida. Esquio, corro ultramaratona, fiz o Caminho de Santiago de bike (decidi numa sexta, fui em 15 dias, quase 900 km) e colecionei aprendizado suficiente pra escrever um livro: O Poder da Execução.
Porque no fim é disso que se trata. As pessoas acham que você visualizou o futuro. Não — você criou o futuro. Não tem mágica, não tem dom. Tem execução, queda, reconstrução e a coragem de começar de novo parecendo pequeno até virar grande.
Do porão à holding não foi uma linha reta. Foi um zigue-zague cheio de buracos. E eu faria tudo de novo.
Quer acelerar a sua empresa com quem já construiu +50 negócios?
Se você está começando do porão — ou tentando sair de uma queda — eu já passei por aí. Construí, quebrei, reconstruí e aprendi o método na pele. Posso encurtar o seu caminho.
