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Liderança

De office-boy a presidente: a mentalidade intraempreendedora que muda carreiras

Por Rodrigo Lopes

De office-boy a presidente: a mentalidade intraempreendedora que muda carreiras

Existe um tipo de pessoa que entra numa empresa pela porta dos fundos e sai pela sala da presidência. Não por sorte, não por sobrenome, não por uma diploma pendurado na parede. Sai porque, desde o primeiro dia, decidiu não se comportar como "colaborador" — e sim como dono.

Telmo Tonolli, presidente do grupo de empresas que construí, é a prova viva disso. E a história dele me ensinou algo que eu repito para todo mundo que trabalha comigo: carreira não é sobre o cargo que você ocupa, é sobre a mentalidade com que você ocupa qualquer cargo.

A trajetória do Telmo: ele nunca agiu como "colaborador"

Telmo começou de baixo. Bem de baixo. E a diferença entre ele e milhares de pessoas que começam no mesmo lugar e ficam paradas por vinte anos não foi o talento bruto — foi a postura.

Enquanto a maioria entra numa empresa perguntando "qual é a minha função?", Telmo sempre perguntou "qual é o problema da empresa e como eu resolvo?". Office-boy que olha para a operação inteira, não só para o pacote que precisa entregar. Vendedor que pensa como dono da carteira. Gestor que cuida do caixa como se fosse o próprio bolso.

Esse é o ponto que quase ninguém entende: ele subiu não porque pediu para subir, mas porque resolveu problemas que não eram "tarefa dele". Cada degrau foi consequência de ter agido, antes da promoção, como se já estivesse no degrau de cima.

"Não existe mais colaborador — todo mundo é empreendedor"

Eu tenho uma convicção que orienta a forma como monto meus times: não existe mais colaborador. Todo mundo é empreendedor.

A palavra "colaborador" carrega uma armadilha. Ela sugere que a pessoa "colabora" com um projeto que é de outra pessoa. Ela ajuda. Ela contribui um pedacinho. E quando algo dá errado, a culpa é "da empresa", "da diretoria", "do mercado" — nunca dela.

O intraempreendedor pensa o contrário. Ele trata a área dele como se fosse a empresa dele. O orçamento é o dinheiro dele. O cliente é o cliente dele. A meta é a sobrevivência do negócio dele. E aí acontece a mágica: a pessoa para de esperar ordem e começa a gerar resultado.

Eu costumo dizer que você não constrói uma empresa de sucesso, você constrói um empreendedor de sucesso. E o empreendedor de sucesso pode estar dentro da sua folha de pagamento agora, fingindo que é só mais um. O Telmo era esse cara.

Pedir mais missão, não só mais aumento

Tem uma diferença gritante entre o profissional que estaciona e o que decola, e ela aparece na conversa de feedback.

O que estaciona chega na mesa do chefe e pede aumento. Ponto. Quer mais dinheiro pelo mesmo trabalho.

O que decola chega e pede mais missão. "Me dá um problema maior. Me deixa cuidar dessa área que está sangrando. Me bota no projeto que ninguém quer." Ele entende que o dinheiro é consequência da responsabilidade que você consegue carregar — não o contrário.

O Telmo nunca foi o sujeito de pedir só aumento. Ele pedia escopo. Pedia confiança para resolver coisas maiores. E quando você entrega resultado em missões maiores, o aumento deixa de ser um pedido e vira uma correção óbvia que a empresa faz para não te perder.

As 916 unidades em 86 dias: execução acima de tudo

Se eu tivesse que resumir o Telmo numa cena, seria a venda das 916 unidades em 86 dias.

Foi execução pura. Não foi um plano lindo numa apresentação de PowerPoint que ficou guardado na gaveta — foi gente vendendo, batendo na porta, ligando, fechando, dia após dia, contra o relógio. Naquele projeto, ligado à Arena do Grêmio, teve até corretor que ganhou um apartamento de tanto que produziu. Isso é o que acontece quando você mistura mentalidade de dono com obsessão por execução: o número vira história.

Eu sempre digo que o feito é melhor que o perfeito e que as pessoas acham que você visualizou o futuro — não, você criou o futuro. As 916 unidades não foram previstas, foram construídas. Tijolo por tijolo, venda por venda, em 86 dias. O intraempreendedor não fica esperando a conjuntura perfeita. Ele executa com o que tem, onde está, agora.

A maturidade de delegar: o presidente contratado cedo demais

Aqui entra a parte que dói, e que poucos empresários admitem: nem toda promoção dá certo, e o erro quase sempre é de tempo.

Eu já contratei presidente cedo demais. Já coloquei gente boa numa cadeira grande antes de essa pessoa — ou a empresa — estar madura para aquilo. E o resultado é frustração dos dois lados. O Telmo me ensinou, com a própria trajetória, que existe uma diferença entre o melhor vendedor e o melhor líder. São músculos diferentes. O melhor vendedor pode ser o pior líder, porque liderar é abrir mão de fazer para fazer através dos outros.

A maturidade para delegar não vem com o crachá. Vem com cicatriz. O presidente de verdade é aquele que aprendeu a confiar, a montar processo, a deixar o time errar e crescer — em vez de querer apertar todos os parafusos sozinho. Promover alguém antes dessa maturidade é jogá-lo numa altura para a qual ele ainda não tem fôlego. E a culpa, quando isso acontece, não é dele. É de quem promoveu sem preparar.

Acelerador e GPS: como eu e o Telmo nos completamos

A melhor definição da nossa parceria foi ele quem deu: "você é o acelerador; eu sou o GPS — o cara que conhece o caminho."

Eu acelero. Sou a pessoa que quer ir mais rápido, que abre quinze frentes, que tem um pacto com o progresso, não com a perfeição. Sozinho, eu corro o risco de pisar fundo na direção errada. O Telmo é o GPS: ele segura o mapa, conhece o terreno, recalcula a rota e me diz quando é hora de frear e quando é hora de virar.

Acelerador sem GPS bate. GPS sem acelerador não sai do lugar. Foi essa complementaridade que transformou um relacionamento que começou por acaso — ele reclamou de uma empresa minha no Instagram, eu respondi na hora, no meio de um churrasco — em uma das parcerias mais importantes da minha vida profissional.

E é por isso que eu defendo tanto a mentalidade intraempreendedora. Porque o próximo Telmo já pode estar no seu time. Pode estar entregando documento, atendendo telefone, fechando o caixa. A pergunta não é se ele tem potencial — é se você vai dar a ele a missão, a confiança e o tempo de maturar até virar o presidente que você ainda nem sabe que vai precisar.

Quer um time com mentalidade de dono? Vamos acelerar

Construir uma empresa de verdade é construir gente. É transformar "colaborador" em empreendedor, é dar missão antes de dar título, é ter a maturidade de delegar na hora certa. Se você quer montar um time que pensa como dono e executa como o Telmo, vamos conversar.

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